Chiclete é bom para os
dentes
Edulcorantes
presentes em gomas de mascar sem açúcar,
como o sorbitol, podem auxiliar na prevenção
de cáries, afirma o estudo realizado pela pesquisadora
e professora associada da Harvard School of Dental
Medicine, Catherine Hayes. A pesquisa foi publicada
no dia 12 de maio de 2007, no site do Instituto Nacional
de Pesquisa Dentária e Crânio-facial
dos Estados Unidos (NIDCR).
No relatório, Hayes fez uma revisão
de 14 estudos clínicos que avaliaram os efeitos
do sorbitol quanto à incidência de cáries,
realizados entre 1966 e 2001. Esses estudos demonstraram
uma consistente diminuição de cáries
dentais, que varia entre 30% e 60% entre os participantes
da pesquisa que utilizaram gomas de mascar ou cremes
dentais com edulcorantes em sua fórmula.
Há vários estudos clínicos que
investigam a relação da diminuição
das cáries com o uso de gomas de mascar sem
açúcar. Ainda de acordo com a pesquisadora
americana, esses confeitos podem auxiliar na manutenção
da higiene bucal por dois fatores principais: diminuição
na produção de ácido lático
e aumento da salivação, o que faz com
que o ácido se acumule na placa bacteriana;
e aumento da salivação, o que facilitaria
na remoção das partículas de
açúcar da boca.
Uma das pesquisas clínicas citadas por Hayes
foi realizada em Belize, entre os anos de 1989 e 1993.
No experimento, 1.277 crianças, com idade média
de 10 anos, foram escolhidas aleatoriamente e divididas
grupos. Os grupos recebiam dois tipos diferentes de
gomas de mascar para consumo: um tipo com edulcorantes,
e outro, com açúcar. As marcas das gomas
utilizadas não foram identificadas e, durante
200 dias letivos, as crianças eram estimuladas
a mascar, durante cinco minutos, as gomas que recebiam.
Além disso, também foram instruídas
a utilizar os produtos no período de férias
escolares.
Após o fim da pesquisa, as crianças
foram avaliadas por quatro dentistas que fizeram o
diagnóstico da existência de cáries
bucais, baseados nas definições propostas
pela ONU (Organização Mundial da Saúde),
em três períodos diferentes: 12 meses,
28 meses e 40 meses após o início do
consumo da goma. Houve significativas reduções
nos índices da existência de cáries
em grupos que consumiram gomas de mascar com sorbitol
e outros edulcorantes, e um pequeno aumento do índice
de cáries entre as crianças que utilizaram
os confeitos com açúcar.
De acordo com Hayes, todas as pesquisas analisadas
demonstram que edulcorantes, como o sorbitol, auxiliam
na redução dos índices de aparecimento
de cáries.
Para saber mais
Clique
aqui para ler o relatório
completo sobre o estudo (PDF)
Saiba mais sobre Catherine
Hayes
Glossário
Edulcorantes – substâncias orgânicas
naturais ou artificiais, que têm como função
conferir sabor doce aos alimentos.
Sorbitol – edulcorante natural muito utilizado
como agente de corpo em produtos alimentícios
dietéticos. Em escala industrial é extraído
a partir da dextrose do milho. Seu poder adoçante
é de 50% em relação ao açúcar
de mesa (sacarose). Não provoca cáries
e fornece 2,4 kcal por grama. Pertence ao grupo dos
polióis.
Sobre a goma de mascar
Os primeiros registros do uso da goma de mascar aparecem
ainda na Antiguidade. Nessa época, os gregos
utilizavam uma espécie de resina como “goma”,
retirada do maxixe. O médico e botânico
grego Discórides (séc. 1 d.C), foi o
primeiro a mencionar as propriedades “curativas”
em se mascar a resina. O costume também foi
registrado entre os maias, que usavam a resina extraída
da árvore do sapoti para mascar, no século
2.
A difusão do hábito de se mascar gomas
no mundo ocidental aconteceu a partir de 1850, quando
o jovem fotógrafo Thomas Adams fez uma parceria
com Antonio Lopez de Santa Anna – ex-presidente
mexicano exilado dos Estados Unidos – que mudaria
para sempre os rumos da indústria de confeitos
do mundo. Adams era inventor nas horas vagas. Isso
incentivou Santa Anna a sugerir para o jovem fotógrafo
a tentativa de criar um pneu feito da resina retirada
da árvore do sapoti. O projeto de fabricar
pneus, entretanto, deu totalmente errado, já
que a goma usada era muito mole.
Um dia, ao entrar em uma farmácia, Adams observou
que uma criança havia comprado goma de parafina
para mascar. Imediatamente, pensou em usar a resina
que tinha em casa para fabricar algo que pudesse ser
mascado, e que fosse mais macio que a parafina. Preparou
a massa, cortou em pequenos pedaços, e vendeu
na mesma farmácia, onde vira a garotinha que
havia lhe inspirado. Rapidamente, as 200 primeiras
unidades – comercializadas a 1 centavo de dólar
cada – foram vendidas. Logo as gomas ganharam
um rótulo que dizia “Goma Adams de Nova
Iorque – estala e estica”. Assim começava
a comercialização de um dos produtos
alimentícios mais consumidos e adorados do
século 20: a goma de mascar.
Voltar